(não, eu não vou botar uma foto de uma magra nem de uma gorda aqui)
Por indicação de uma amiga gordinha (ou uma gordinha amiga?), parei pra ler o livro de Susie Orbach, “Gordura é uma questão feminista”.
Publicado na Inglaterra há 30 anos, e no Brasil há pouco mais de vinte, esse livro acabou de fazer uma revolução na minha cabeça.
Sempre fui feminista meia-boca, sabendo que as coisas andavam meio assim-assim pro lado da mulher, que todo esse papo de emancipação e conquistas era muito discurso e pouco resultado.
Concluí que mudaram as aparências, mas as mulheres continuam num processo de aprisionamento cruel.
Com relação à forma feminina, continua uma escravidão fortíssima tendo como algoz essa silhueta magra, estereotipada, exagerada. (Saboneteiras, cadê as minhas??)
O legal do livro é que a Susie Orbach, que foi terapeuta da Princesa Diana, desmascara os sentimentos que estão escondidos por trás da gordura. E é um tanto cruel ao afirmar categoricamente que eu e você somos gordas porque queremos – ou porque achamos que teremos algum benefício com isso.
Por exemplo, tem mulheres que usam a gordura como esconderijo, para não ter que assumir a própria sexualidade. Fantasiar-se de amigona seria mais seguro do que entrar na competição acirrada com outras mulheres. Então, ser gorda funcionaria como uma proteção psicológica para o seu verdadeiro “eu”,que não suporta esse nível de competição.
A gordura poderia ser também uma maneira de a mulher negar-se a representar o papel imposto pela sociedade, de objeto sexual.
Essas duas linhas de análise são apenas uma amostra de como ela vai a fundo nessa relação da mulher com o próprio corpo, com a sua gordura, que é na maioria das vezes vista como couraça, e como ela é determinada pela maneira como a mulher se relaciona com a sociedade.
Portanto, aí vai a dica de leitura, só resta saber se eu também vou emagrecer depois de saber tudo isso.
O livro você encontra em pdf aqui.
E um site bom pra visitar é o Feminista.
