Feeds:
Posts
Comentários

(não, eu não vou botar uma foto de uma magra nem de uma gorda aqui)

Por indicação de uma amiga gordinha (ou uma gordinha amiga?), parei pra ler o livro de Susie Orbach, “Gordura é uma questão feminista”.

Publicado na Inglaterra há  30 anos, e no Brasil há pouco mais de vinte, esse livro acabou de fazer uma revolução na minha cabeça.

Sempre fui feminista meia-boca, sabendo que as coisas andavam meio assim-assim pro lado da mulher, que todo esse papo de emancipação e conquistas era muito discurso e pouco resultado.

Concluí que mudaram as aparências, mas as mulheres continuam num processo de aprisionamento cruel.  

Com relação à forma feminina, continua uma escravidão fortíssima tendo como algoz essa silhueta magra, estereotipada, exagerada.  (Saboneteiras, cadê as minhas??)

O legal do livro é que a Susie Orbach, que foi terapeuta da Princesa Diana, desmascara os sentimentos que estão escondidos por trás da gordura. E é um tanto cruel ao afirmar categoricamente que eu e você somos gordas porque queremos – ou porque achamos que teremos algum benefício com isso.

Por exemplo, tem mulheres que usam a gordura como esconderijo, para não ter que assumir a própria sexualidade.  Fantasiar-se de amigona seria mais seguro do que entrar na competição acirrada com outras mulheres. Então, ser gorda funcionaria como uma proteção psicológica para o seu verdadeiro “eu”,que não suporta esse nível de competição.

A gordura poderia ser também uma maneira de a mulher negar-se a representar o papel imposto pela sociedade, de objeto sexual.

Essas duas linhas de análise são apenas uma amostra de como ela vai a fundo nessa relação da mulher com o próprio corpo, com a sua gordura, que é na maioria das vezes vista como couraça, e como ela é determinada pela maneira como a mulher se relaciona com a sociedade.

Portanto, aí vai a dica de leitura, só resta saber se eu também vou emagrecer depois de saber tudo isso.

O livro você encontra em pdf aqui.

E um site bom pra visitar é o Feminista.

Após a crise…

Sabe do que eu tenho inveja mesmo? De gente que sabe escrever bons roteiros.

Adoro ver bons filmes, e sempre fico pensando no cara que pensou, que conseguiu traduzir aquelas idéias em cenas, em situações para serem filmadas.

Ontem assisti a Cordeiros e Leões, com o Robert Redford, Meryl Streep e Tom Cruise. Filmão, bom de ver, bem feito pacas.

Conseguiram conduzir três linhas de diálogo, sem tornar o filme entediante em momento nenhum. É um filme político, sobre a guerra dos Estados Unidos contra o mundo. Um pouco de ciência política, e muito de ética.

Recomendo com gosto.

 

Eu sempre me policiei pra escrever focando em coisas boas e construtivas.

Sempre quis escrever pra fazer um mundo melhor.

Mas parece que o mundo não ta nem aí pra isso. Hoje, na verdade, eu quero é que o mundo se exploda.

Queria dar pros meus filhos um lugar legal pra viver, um lugar onde eles não precisassem ter medo das pessoas, nem desconfiar de todo mundo.

Queria que eles sequer tivessem ouvido falar em pedofilia.

(Eu nunca soube o que era isso, até ser adulta.)

Eu queria tanta coisa.

Eu queria saber o que tem depois da morte, pra ter certeza do que é que eu tenho que fazer.

Quero ter certeza de que não tem um juiz me olhando lá de cima, nem um anjo do meu lado anotando todas as minhas ações.

Eu quero poder ficar sem fazer nada, e não me sentir culpada por isso.

Quero não ver tanta iniqüidade.

Quero poder dormir em paz.

Quero morrer. Dormir.

Hamlet já disse tudo. Estarei repetindo, se continuar.

 

Hoje não vou escrever nada construtivo. Hoje estou muito cansada.

Hoje o mundo me venceu, me atropelou, e eu desisti.

 

Meu nome não é Maria do Carmo.

É um apelido, o mais inofensivo que achei. Tem jeitão de mulher de meia-idade, dona-de-casa, de alguém que não faz mal pra ninguém.

(Mas eu faço.)

Meu nome é esquisito, não tem dois iguais nem parecidos.

Não dá pra confundir.  Se alguém que me conheça ler qualquer coisa assinada com meu nome, vai saber na hora que sou eu mesma, aquela.

Meu passado me condena.

Fiz muita besteira quando era mais jovem. Namorei um maluco.  Tenho medo até hoje do que ele pode dizer de mim. É, eu era muito anarquista naquela época.

Hoje sou moderada, virei certinha. Uma quase-senhora respeitável, mãe de família. É o que eu quero ser, mas não tenho saco pra isso.

Não tenho saco pra ser de acordo com o que a sociedade manda.

Já machuquei muita gente, já me meti em confusão. A maior prejudicada sempre fui eu mesma, me estrepei.

Hoje tô tão bem casada, com uma vida tão bem resolvidinha…

Só que aqui por dentro as coisas fervem. 

Sou bicho do mato, rosno e mordo todo mundo que chega perto. 

Por enquanto ainda sou jovem e bonita, classuda, metida. Ainda passo por excêntrica, mas isso não vai durar.

A máscara vai cair, e quando ficar mais velha, vão me chamar de louca mesmo.

 Tô ferrada.

Odeio

Odeio

- falar com pessoas;

- ser avaliada;

- descobrir o que pensam de mim;

- descobrir por terceiros o que os segundos pensam de mim;

- ter uma pilha de coisas pra estudar;

- ler por obrigação;

- fazer qualquer coisa por obrigação;

- ter que ser simpática;

- precisar ser bonita;

- ser uma pessoa agradável;

- medir as palavras, os gestos, os pensamentos;

- sofrer patrulha ideológica;

- conviver em ambiente de competição, vaidades, fofocas.

Conclusão #1: ODEIO A SOCIEDADE.

Conclusão #2: Preciso de análise.

 

Postagens Antigas »