Sobre traições e afins
Janeiro 28, 2008 de Maria do Carmo
Trair não vale a pena não. Acho que a gente nunca consegue desencanar, e nem pensar “é só sexo”. Não é, nunca é. E mesmo se for, é meio esquisito, você acaba admitindo que é um bicho, que faz sexo por fazer, e que não consegue se controlar.
O problema é depois, quando o parceiro descobre. Sempre acaba descobrindo.
Alguém conta, o amante espalha e vira fofoca, você deixa algum vestígio, ou, pior, você mesma conta, com raiva, só pra machucar o seu marido/namorado.
Se você casou com o cara porque achava que queria passar a vida toda com ele, não vale a pena fazer alguma coisa que vá ferir o outro por alguns momentos de diversão.
Se está namorando, é porque acha que vale a pena estar com aquela pessoa, então, não justifica pular a cerca por pouca coisa.
Se quer trair, então, termine seu compromisso, e vá à festa. Antes disso, é sujeira.
Sei que as coisas podem ser mais complicadas do que isso. Ás vezes temos filhos, às vezes estamos presos por mais coisas do que um simples anel de compromisso. Mesmo assim, a marca que uma traição deixa na sua vida é péssima. Mesmo que só você saiba, porque seu amante já morreu, mesmo assim aquilo pesa na sua cabeça, e vai te infernizar por dentro pro resto da vida.
Imagina se o seu marido é aquele cara bacana, querido, fofo, que te trata que nem rainha, e você traiu a confiança dele por uma mísera noite de sexo selvagem - que no final das contas nem foi tão bom assim?
Você nunca vai conseguir olhar pro seu marido sem sentir pena. Imagina você, com oitenta anos de idade, pensando que enganou ele a vida inteira? Cruel, não?
Tem outro lado. Às vezes o relacionamento tá uma porcaria, cada um prum canto. Aí acontece, você quer separar, ele também, cada um arruma um amante, ou prostitutas como é bem comum, mas aí descobrem que na verdade queriam ficar juntos? Que na verdade ambos estavam se sentindo sozinhos mas um não conseguia fazer companhia pro outro… Ainda assim se justifica?
Repito que não. Seria mais interessante se ambos fossem honestos, chegassem a um acordo, separassem um tempo, e cada um fizesse o que bem entendesse. Na hora de voltar seria mais fácil, e bem menos dolorido que uma lavagem de roupa suja, e mágoas recíprocas.
Lembre-se, somos humanos, e perdoar de verdade é a coisa mais difícil do mundo. Perdoar de verdade significa saber o que o outro fez, e viver com isso numa boa. Mas a verdade é que a lembrança sempre dói, e sempre a gente vai lembrar do que aconteceu, naquele dia, há dez anos atrás.
Porque quando a gente ama, não tem jeito. Não importa o que o outro tenha feito, a gente sempre aceita de volta. E aí vai ter que conviver pro resto da vida, os dois sabendo que se traíram, e nunca mais um confiando no outro de novo. Imagina um ambiente desses, cheio de amor, mágoas e filhos?
Tem decisões na vida que a gente tem que tomar pensando no futuro. Traição é uma delas. Se você quer correr o risco de magoar e separar, então separe de uma vez, e machuque menos.
Moral da história: NÃO SE PODE TER TUDO NA VIDA
Não dá pra conciliar sexo excelente, frisson, paixão avassaladora com casamento e relacionamento longo e sério. É uma questão de saber o que se deseja, e de honestidade consigo mesma. Quer curtir? Fique à vontade. Mas então não diga pro outro que quer coisa séria. Se já quer assentar, aprenda a curtir o lado bom disso, sabendo que uma hora a coisa vai esfriar, e não é só do seu lado. Mas aí tem outras coisas boas, que só quem é casado de verdade conhece.
Recomendo os seguintes filmes, pra pensar um pouco a respeito:
Closer - Julia Roberts, Natalie Portman, Jude Law e Clive Owen
De Olhos Bem Fechados - Nicole Kidman e Tom Cruise
Infidelidade - Diane Lane e Richard Gere
Creio que o objetivo na vida é nos tornarmos pessoas melhores. Se o que queremos fazer pode nos tornar piores, então é melhor não fazer. Auto-controle. Essa é a senha para o verdadeiro amadurecimento.
De acordo com Livro dos Mortos dos antigos egipcios uma pessoa ao morrer teria seu coração pesado, se fosse mais leve que uma pena poderia ficar ao lado dos deuses. Uma das condições para isso era: “jamais ter feito ninguem chorar” (”12. I have made none to weep.“). Um mandamento delicado como não há igual em outro lugar.
Abraços
Mais uma vez, T-Rex, obrigada pelo belíssimo exemplo. Essa história me lembrou um conto que li há muito tempo, chamado “O peso de um pouco de palha”, ou algo assim. Vou pesquisar e depois te digo.
Abração